Jornalistas costumam ser amigos da sorte. Policiais, não.

 Dois dias atrás, a polícia perdeu uma boa oportunidade de ser ovacionada pela população. Não sei, mas acho que os caras vivem brigados com a sorte. Quinta-feira de verão, Porto da Barra lotado, mais ou menos 16h30. Três jovens, dois deles menores, estão em um barco, próximo à praia, com maconha, crack e um revólver.
Um efetivo de uns 15 policiais, entre civis e militares, é designado para a captura dos, como eles dizem, meliantes. Tudo se encaminha para uma operação fácil, tranqüila e bem sucedida. Mas, não. Utilizar a sorte a seu favor não é com a polícia.
Os relatos foram unânimes. A totalidade dos banhistas e testemunhas ouvidas pelo CORREIO afirmou que os policiais chegaram atirando da areia. Apontaram para dentro d´água e dispararam pelo menos duas vezes.

Não houve feridos. Se borrando de medo, os acusados se entregaram na hora. Mas a ação não deixou de ser desastrosa por isso. Um ambulante perguntou em voz alta o que a maioria das pessoas se questionou naquele momento. “E se os bandidos reagissem atirando em direção à areia. E se um dos tiros dos policiais atingissem um banhista ou até uma das crianças que tomavam banho de mar?”.
Bom, os tiros não foram a única besteira que a polícia fez em pleno Porto. O que se seguiu, contaram dezenas de banhistas, foi uma sessão de tortura e violência explícita. O traficante e os menores infratores foram chutados, tiveram as cabeças pisadas e foram obrigados a “comer areia”.
Se fazem isso em plena luz do dia, no meio da multidão e na frente de turistas que visitam um dos mais belos balneários do mundo, de que artifícios usam no Bairro da Paz, em Cajazeiras ou na Gamboa? 
Quando cheguei, o que vi – e isso ninguém me relatou, vi com os meus próprios olhos – foram os jovens serem estapeados e enforcados por um agente civil de camisa lilás clara, aparentemente um dos que comandava a operação. O mesmo que, quando questionado por uma turista gaúcha sobre os métodos utilizados ali, respondeu gritando: “Então volte para seu estado, sua desgraça”.
Levados os presos, vários militares ainda perderam muito tempo revistando banhistas. Pareciam escolher aleatoriamente. Não sou do MNU, mas todos que sofreram baculejo eram jovens pretos. Coincidência?
Repito: os policiais perderam uma boa oportunidade de saírem aplaudidos do Porto da Barra. Quem sou eu para ensinar padre nosso ao vigário, mas fosse uma ação dentro d´água, por exemplo,  utilizando outro barco, os bandidos seriam facilmente rendidos.
Sem tiros e sem violência, não tenho dúvidas de que a polícia seria ovacionada por baianos, turistas, prostitutas, maconheiros, rastafaris, magrinhos de sunga colorida e tudo quanto é tipo de gente que costuma frequentar aquele pedaço de areia.
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